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13.01.2010



Henkel lança nova fórmula sem solvente aromático e elimina a produção de Cascola com toluol

Substância também conhecida como “cola de sapateiro” pode levar à dependência química se inalada abusivamente. Henkel é a primeira companhia a mudar fórmula do produto no mercado brasileiro e a retirar completamente o solvente aromático de sua linha de produção.

A multinacional alemã Henkel anuncia o término, no Brasil, da produção de colas de contato que levem em sua fórmula o solvente toluol, também conhecido como tolueno. A nova versão de Cascola Tradicional desenvolvida com tecnologia exclusiva da Henkel, que começou a chegar ao mercado neste segundo semestre, contém um solvente não aromático que tem três vezes menos toxicidade que o toluol, e com mais eficiência na colagem.
O toluol é um solvente aromático derivado do petróleo presente em todas as colas de contato disponíveis no mercado, tiners e alguns agentes de limpeza, entre outros produtos. É a substância que caracteriza o que ficou popularmente conhecido como cola de sapateiro, a terceira droga lícita mais consumida no país, atrás apenas do álcool e do tabaco. O novo solvente utilizado pela Henkel em seus produtos, além de menos tóxico, não tem potencial de abuso e de desencadear a autoadministração.
 
Desde 2005, quando adquiriu a Alba Adesivos, detentora e produtora da marca Cascola, a Henkel decidiu retirar o toluol da fórmula do produto. Numa primeira etapa, lançou a Cascola Extra Sem Toluol. Em março deste ano, colocou no mercado a Cascola Tradicional Sem Toluol, para testes com profissionais, especialmente marceneiros. Agora a Henkel dá mais um passo, eliminando definitivamente o componente de sua linha de produção.

De acordo com Timm Fries, Vice-Presidente da Divisão de Adesivos de Consumo da Henkel para a América Latina, a decisão da companhia de mudar a fórmula de um produto que hoje é líder em seu segmento e referência na categoria vem ao encontro dos preceitos de responsabilidade social e sustentabilidade da multinacional alemã.

“Embora o toluol não faça mal à saúde dos profissionais que o utilizam de forma correta, verificamos que no Brasil as colas de contato são usadas de forma errada com muita freqüência, como uma droga. Consideramos isto um problema social e de saúde pública. Por isso, decidimos investir na criação de um produto à base de solvente não aromático e muito menos tóxico”, diz Timm. “Como somos líderes no segmento, a tendência natural é que nossos concorrentes comecem agora a retirar também a substância de seus produtos, o que terá impacto social extremamente positivo”, acrescenta.

Antes do Brasil, Timm Fries comandou o processo de retirada de toluol da cola de contato produzida pela Henkel no Chile. Em meados da década de 90, a inalação de toluol pela população chilena (especialmente jovens) tinha se tornado um problema de tal ordem que se estimava que 7% da população do país já teria feito uso abusivo do solvente.

A Henkel foi a primeira companhia, naquele País, a apontar o problema e a retirar o solvente de sua cola de contato. A iniciativa foi tão bem recebida pelas autoridades de saúde chilenas e pela opinião pública que, em 1998, foi proibida a venda de produtos para o mercado de consumo com toluol na fórmula. Em 2001, apenas cinco anos após a proibição, o índice de utilização de solventes aromáticos como droga havia caído para 0,15%.

O solvente utilizado agora no Brasil nas Cascola Tradicional e Extra é parecido com o desenvolvido para o Chile, com adaptações para as condições climáticas e necessidades dos profissionais brasileiros. Para os consumidores, é fácil diferenciar o produto, pois a embalagem traz claramente a inscrição “sem toluol”. Além disso, as colas de contato que utilizam toluol na fórmula são obrigadas, por lei, a estampar a imagem de uma caveira (indicação de perigo) junto ao rótulo.


Os riscos associados ao Toluol

O toluol é um solvente aromático que, ao ser inalado, inibe o sistema nervoso central, causando sensações de excitação, alucinações auditivas e visuais, acompanhadas de tontura, náuseas, espirros, tosse, salivação e fotofobia. Quando usado em altas doses e/ou de forma crônica, essa substância leva à síndrome de adicção. Como os efeitos após a inalação são rápidos (desaparecem após 15 a 40 minutos), o usuário acaba repetindo a dose diversas vezes para prolongar a sensação de euforia, o que favorece a ocorrência da dependência química.

É importante, no entanto, diferenciar o uso voluntário do uso por trabalho. É preciso levar em conta as variáveis tempo e concentração. Um profissional que aplica a cola da forma indicada, em lugar arejado e com uso de máscara com o filtro apropriado, não corre risco, por estar em contato com uma concentração menor. Os problemas são causados quando se usa de forma concentrada e constante.

De acordo com estudo publicado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a utilização de solventes aromáticos, como o toluol, para a inalação, chama a atenção pela precocidade da procura pela droga por seus usuários. Tipicamente, o uso dessas substâncias se inicia no final da infância e início da adolescência.  Seu vasto uso pode ser explicado pela sensação de euforia que provoca, por seu fácil acesso e baixo custo.  O toluol também causa perda de apetite, o que pode motivar seu uso entre crianças carentes.

 

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